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Série Follies: Dolores Costello

Série Follies: Dolores Costello
Foto: Reprodução

Quem acompanha o blog há alguns anos certamente conhece a Série Follies, uma coluna de posts especiais que homenageiam as grandes estrelas do Ziegfeld Follies. Após algum tempo (para não dizer anos), resolvi ressuscitar essa série de postagens, sem falar nas outras que logo mais vocês irão conferir. Mas se você chegou aqui a pouco tempo e não sabe do que estou falando, sugiro que clique no botão "Antique/Vintage" que está no menu suspenso. Lá estão algumas matérias sobre cinema, cultura vintage, antique e retrô e curiosidades, todas escritas por mim ao longo desses oito anos de blog.

Série Follies: Nita Naldi



Hello Vintagers, tudo bem com vocês? Dando continuidade à Série Follies - que por sinal ficou um pouco abandonada - Para quem não conhece: Nesta série conto um pouco sobre a vida e a carreira das maiores estrelas do Ziegfeld Follies, então chega de papo e vamos começar?

Mary Nonna Dooley (13 de Novembro de 1894 – 17 de Fevereiro de 1961), mais conhecida como Nita Naldi , foi uma célebre atriz do Cinema Mudo, famosa pela suas personagens sensuais e perigosas que fizeram com que ela se tornasse uma das primeiras Femme Fatale/Vamps do cinema, assim como foi Theda Bara entre outras mais, tanto que era considerada a sucessora da Theda Bara. Nita nasceu na cidade de Nova York, sua família era de origem Irlandesa. Em função do abandono do pai e posteriormente a morte da mãe, ela ficou sob os cuidados dos seus irmãos e em função disso começou a trabalhar muito cedo. Trabalhou como modelo e como performer em espetáculos de Vaudeville juntamente com um dos seus irmãos. Sua primeira aparição na Broadway foi em 1918 no "The Passing Show" onde trabalhou como corista.

Photos by Tumblr/ Pinterest/ Google

The Passing Show foi o trabalho que deu o ponta pé inicial à sua carreira, através dele ela conseguiu outros trabalhos no palco como Showgirl. Em 1918 ela entra para o seleto grupo de coristas do Zieglfeld Follies e nessa mesma época muda seu nome artístico para Nita Naldi. Posteriormente ela decidi investir em uma carreira nos cinema e deu certo. Ainda jovem, Nita iniciou uma rápida, porém brilhante carreira no Cinema Mudo. Seu primeiro filme foi o "Dr. Jekyll and Mr. Hyde" de 1920 o que acelerou sua fama e lhe trouxe outros trabalhos: "The Last Door", "A Divorce of Convience" e "Expierence" todos de 1921. Sua beleza, sensualidade e atitude nas telas a consagrou como uma das beldades Vamps da época e Femme Fatales. A produção da Paramont Picture "Blood and Sand" de 1922 foi um sucesso absoluto e marcou sua carreira como Vamp no cinema sendo a personagem "Dona Sol". Destaca-se também a atuação brilhante de Rodolfo Velentino com quem contracenou em mais dois filmes. Entre 1920 e 1929 Nita participou de diversos filmes, sendo o último "Die Pratermizzi"

Na primeira foto, Nita incorporando um de seus personagens fatais. - Photos by Tumblr/ Pinterest/ Google

Photos by Tumblr/ Pinterest/ Google

Visual exótico característico de uma personagem femme fatale - Photos by Tumblr/ Pinterest/ Google

Vida Pessoal: Como qualquer estrela de sua época (ou de qualquer outra época) seu nome sempre esteve envolvido em fofocas como romances e a própria mídia da época pegando no pé dela pelo seu peso. Ela alegou nunca ter tido um romance com Valentino ou outros atores com quem trabalhou. Ela chegou a viver em Paris e enquanto esteve na Europa participou dos filmes "La Femme Nue", "The Golden Mask", e "The Mountain Eagle" . Teve um relacionamento com J. Searle Barclay desde os tempos em que ainda trabalhava no palco e se separou dele em 1931 com quem permaneceu casada até o ano de sua morte em 1945. Ela não se casou novamente e também não teve filhos. Retornando para Nova York. Nita assim como muitos outros atores de sua época não aderiu ao novo estilo do cinema falado e seu estilo Vamp de ser já não agradava mais o público Americano. Em 1932 ela já não tinha mais recursos, deprimida resolveu abandonar o cinema. Faleceu aos 66 anos de um ataque cardíaco. Por sua contribuição no cinema ela possui uma estrela na calçada da fama.

Rudolph Valentino agarrando a Nita! Cena Clássica e linda!

Nita Naldi by Alberto Vargas - Fiquei ligados pois farei um post em especial sobre alguns dos trabalhos do Alberto Vargas. 

 
Ela me lembra a cantora Caro Emerald, o que vocês acham? Photos by Tumblr/ Pinterest/ Google

E para encerrar o post de hoje, deixo alguns vídeos com imagens e só dois filmes pois não encontrei muitos de seus filmes completos para deixar aqui disponível no post. Se encontrar, irei atualiza-lo. Todas as referências do post foram retiradas desse site. É isso gente, espero que tenham gostado do retorno da série. E quem não conhece leia os outros posts. Beijos!

"Blood and Sand" - Completo


"Cobra" de 1925 - Nita atuando novamente ao lado de Rodolfo Valentino



Série Follies: Josephine Baker, a Pérola Negra!


Eu realmente não sei o que aconteceu com o meu primeiro post sobre a Josephine Baker que fiz a uns anos atrás aqui no blog. Não sei se em meio aos meus backups eu tenha acidentalmente excluído. Mas já que estou desenvolvendo a Série Follies, vou falar mais uma vez sobre essa estrela que é uma das minhas favoritas. Mesmo não tendo participado do Ziegfeld Follies foi uma grande estrela do Follies Bergère na França, o mesmo que serviu de inspiração na criação da famosa produção teatral Norte Americana.

Freda Josephine McDonald nasceu em 3 de Junho de 1906. A nossa Josephine Baker foi uma notável atriz, vedete, dançarina e cantora, que iniciou sua bem sucedida carreira durante os anos 20. Josephine era dotada de uma beleza exótica e extremamente sensual. Ela era afrodescendente e embora exista algumas controvérsias quanto a origem do seu pai, ela acreditava que ele era  um homem branco. Ela também possuía descendência indígena. Durante seus anos de carreira nos palco ela recebeu diversos apelidos: Pérola Negra (meu favorito)Deusa Crioula, Vênus Negra, Deusa de Ébano!

Aviso: Este Post está cheio de belas imagens em collages que fiz da Minha Estrela Negra favorita. A little Spamming never kill nobody ;)

Ela se naturalizou Francesa em 1937 e foi a primeira grande estrela negra a ter sucesso no mundo do entretenimento. Na infância passou por necessidades. Aos 8 anos de idade chegou a trabalhar em casa de família onde foi agredida fisicamente pela patroa. Aos 12 anos ela se torna uma criança de rua, revirava latas de lixo para se sustentar. Aprendeu a dançar nas ruas e foi justamente sua dança "estranha" que chamou atenção da St. Louis Chorus vaudeville, uma companhia de dança da qual ela se uniu quando tinha 15 anos de idade.

Josephine em 3 momentos: Usando vestido com estampa de leopardo. Agradeça a ela por ter lançado a moda; Segunda foto se preparando para o Show e terceira já no palco!
Carreira: Sua carreira começou a decolar quando foi trabalhar em Paris. O foco de suas apresentações era sua dança. Um charleston ((famosa dança com base musical no Jazz muito popular durante os anos 20) puro que aprendeu nas ruas. E o fato de que ela subia ao palco praticamente nua. Ela fez uma bem sucedida tour por outros países da Europa e depois voltou para a França e assinou um contrato com a Follies Bergère. Seu sucesso começou na mesma época em que a Art Déco estava expandindo, o quê fez com que as pessoas se interessasse por uma forma de Arte ocidental, que incluía a Cultura Africana, foi um período do qual os negros começavam a desenvolver um papel importante como artistas nos palcos. Ela foi a artista Americana mais bem sucedida na França. Ernest Hemingway (célebre escritor Norte Americano) se referiu à Josephine como "A mulher mais sensacional que alguém já viu". Josephine fazia uma combinação de dança com movimentos que ela mesma criou. Sua famosa "Saia de Banana" adereço para a execução da "Dança da Banana" se tornou febre e sua própria marca.

 Josephine dançando o Charleston Original na segunda foto!
Divando: Josephine e seu guepardo de estimação chamado Chiquita
No palco ela era ao mesmo tempo sensual e muito engraçada, fazendo caras e bocas a todo momento. Arrancando suspiros e gargalhadas da platéia. Chamou a atenção de muitos e serviu de inspiração para vários artistas da época. Sua lista de admiradores era extensa e tinha nomes como os de  Pablo Picasso e Alexander Calder. Ela não chegou a ter a mesma fama e sucesso nos Estados Unidos da forma que teve na Europa. Chegou a ser cogitada para se tornar uma das grandes estrelas do Ziegfeld Follies, mas foi rejeitada pelo público Norte Americano que não gostou nada da ideia de ter uma mulher negra fazendo parte do espetáculo que era febre na época. Josephine ficou muito magoada pela forma como a tratavam em seu pais de origem. A França amava Josephine e ela aprendeu a amar a França, não tendo nenhuma dificuldade ou dúvidas quanto ao se naturalizar Francesa. Se casou com um Francês Jean Lion (seu primeiro marido de um total de quatro matrimônios, sem contar os amantes) em Crèvecœur-le-Grand e a cerimônia foi presidida pelo prefeito da cidade. À partir da década de 30 Josephine começa a estudar e se dedicar com mais um de seus talentos, o canto. Sendo sua canção de maior sucesso a "J'ai deux amours" de 1931. Em 1934 ela participou da Ópera "La créole"! E sua carreira vai muito além dos palcos, filmografia: La Sirène des tropiques/Siren of the Tropics(1927); Zouzou (1934); Princesse Tam Tam (1935); Moulin Rouge (1941), Fausse alerte/ The French Way, (1945) An jedem Finger zehn/ Ten on Every Finger (1954); Carosello del varietà (1955) e Grüsse aus Zürich - TV (1963)

Nossa Black Pearl ainda conseguia ser engraçada!
A Vênus Negra no Brasil: Josephine Baker esteve no Brasil pela primeira vez em 1929. Ela veio para uma apresentação especial no Teatro Cassino, no Rio de Janeiro. Ela voltou em 1952 e contracenou com Grande Otelo no show "Casamento de Preto", onde cantava em português "Boneca de Piche" . Em 1963 fez uma temporada de shows no Copacabana Palace e apresentou-se no Teatro Record, em São Paulo. Sua última visita ao Brasil foi em 1971 onde esteve no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em Porto Alegre. É, ela gostava daqui! :)


Esse vídeo contém cenas da Josephine dançando em 1927, mas a trilha sonora é a própria cantando "O que que a baiana tem" gravado em 1949!

Outfit da Dança da Banana, sua marca registrada: Josephine retratada em dois Posters e na imagem central, sua estátua no famoso museu Madame Tussauds


Josephine e sua original e escandalosa Dança da Banana
Causas Sociais e Legado: Durante toda a sua vida, Josephine sempre esteve engajada em causas sociais, sobre tudo as que tinham como intuito a emancipação e luta dos direitos dos negros, chegando a apoiar Martin Luther King. Antes disso ela atuou como espiã da resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Trabalhou em Associações e o melhor é que teve reconhecimentos e honras pelas suas ações. Ela chegou a adotar 12 crianças de diferentes etnias da qual chamava de "Tribo Arco-Íris". Durante os anos 60 ela teve dificuldades financeiras e ganhou da princesa Grace um apartamento em Roquebrune perto de Mônaco.

Em 1968, com o apoio da princesa Grace ela volta aos palcos e se apresenta no Olympia em Paris. Um de seus últimos concertos estava lotado, todos queriam ver de perto a Pérola Negra de volta aos palcos. Sua festa de comemoração dos 50 anos de carreira contou com a presença de nomes como Sophia Loren , Mick Jagger, Shirley Bassey , Diana Ross e Liza Minnelli. Quatro dias depois ela é encontrada dormindo em sua cama, rodeada de jornais e revistas falando sobre seu bom desempenho nos palcos. Ela ficou em coma após um derrame cerebral, chegou a ser internada, mas faleceu em 12 de Abril de 1975 aos 68 anos. Ela recebeu honras militares Francesas em seu funeral, jamais concedidas a nenhuma outra mulher Americana. 

Musa Inspiradora: Estou falando da Josephine, óbvio! Serviu de inspiração para a coreografia e roupa apresentado por Beyoncé, que já se inspirou nela em diversos momentos de sua carreira.
Josephine nos anos 20 e 60. Sempre linda!
Até hoje Josephine é referência e inspiração para muitos artistas (principalmente as chamadas "divas pop"), muitas pessoas não tem noção do quão importante ela ainda é. Ela deu o primeiro grande passo e abriu a porta para outras estrelas negras e não é a toa que hoje em dia cantoras como Beyoncé e Rihanna se inspirem nela. Sem contar que graças a ela, a moda da estampa de leopardo pegou! Em 1991 a HBO fez um documentário sobre sua vida, o filme The Josephine Baker Story.

Sinceramente ainda não tive a oportunidade de ver o documentário completo, só algumas cenas, então não posso dizer minha opinião. Mas isso está na minha lista de prioridades, procurar e assistir. Deixo abaixo a apresentação da Josephine no O'lympia em Paris (sorte de quem esteve lá). Sem dúvidas uma grande atriz, uma grande dançarina, cantora e principalmente uma mulher com um coração especial. Ela merece ser lembrada para sempre! E desculpe pelo post extenso, tenho tendência a escrever muito se eu estiver falando de uma pessoa que admiro muito. Algumas referencias como datas e nomes foram retirados da Wikpédia! Espero que tenham gostado, comentem! 


Série Follies: The Dolly Sisters

Nota: Primeiro post da Série Follies, dedicado a falar de individualmente sobr as maiores estrelas do Ziegfeld Follies. Eu publiquei esse mesmo post no meu tumblr um tempo atrás e decidi publicar aqui no meu blog com mais informações.
The Dolly Sisters! Assim eram chamadas as irmãs gêmeas Rosie e Jenny (Roszika e Janszieka Dolly). Nasceram na Hungria em 1892 e imigraram para os Estados Unidos em 1905. A beleza, talento e capacidade de dançar e atuar em perfeita sincronia tornaram as Dolly Sisters famosas em salões vaudeville e teatros burlescos por toda a Europa durante os loucos anos 20. Elas iniciaram a carreira ainda se apresentado em pequenos bares até assinarem um contrato e fazerem parte do Ziegfeld Follies em 1911 e assim como todas as coristas que trabalharam no teatro também foram atração por lá. Tiveram uma carreira bem sucedida com muito dinheiro, jazz, glamour, jóias e muitos amantes também. Podiam ser vistas andando pelas ruas de Paris, sempre bem acompanhadas. O que elas ganhavam em uma noite de espetáculo foi o suficiente para Jenny começar a  investir em jóias.

Rosie e Jenny foram uma das grandes atrações do Ziegfeld Follies durante a década de 20.
Até hoje ninguém sabe dizer qual delas é a Jenny e qual é a Rosie! Qual é o seu palpite?


Fora dos palcos a vida das Irmãs Dolly estava sempre nas páginas de fofoca. Jenny viria a sofrer um grave acidente de carro, o que fez com que seu lindo rosto ficasse deformado e nem mesmo tantas cirurgias plásticas e jóias vendidas foram necessários para que Jenny tivesse sua beleza de volta, o que fez com que ela caísse em uma profunda depressão. Em 1941 Jenny se enforcou no chuveiro de um quarto de hotel.  Em 1945, chega nos cinemas a histórias das Dolly Sisters, em forma de um musical interpretado por June Haver e Betty Grable (The Dolly Sisters, 1945) Rose tentaria anos mais tarde fazer o mesmo que sua irmã, cometer suicídio. Porém não teve sucesso e veio a falecer em 1970.

Famosas: Dolly Sisters em aparições em público!
 Primeira foto sendo fotografadas pela lente de Alfred Cheney Johnston, o fotógrafo oficial das Ziegfeld Girls. Segunda foto As Irmãs se apresentando no palco.

Dentre tantas estrelas do Ziegfeld Follies, as Dolly Sisters foram uma das artistas que por lá passaram que mais me chamou atenção e despertou curiosidade, ainda mais quando li um pequeno artigo em uma revista. Interessante ver que até hoje são citadas, ainda são referência quando falamos em Jazz, anos 20, follies, mulheres nos palcos. Gosto de lembrar do que eles foram nos palcos e recomendo o musical sobre sua biografia. ;)


Cinema: The Dolly Sisters (1945): Filme biográfico sobre a vida das Irmãs Dolly em formato de musical de grande sucesso com um grande elenco. Dirigido por  Irving Cummings e produzido por George Jessel. No filme, Betty Grable  faz o papel de Jenny e June Haver de Rosie, conta a trajetória das irmãs rumo ao estrelado na Broadway! Abaixo Poster do filme, Betty e June em ação e o trailer para vocês ficarem ainda mais com vontade de assistir esse musical.

Betty Grable  e June Haver (1945)

Também indico o post sobre O Ziegfeld Follies Inajara Bow e também o meu!